A Liberdade
Fogo posto
Foi de amor e de cravos. Foi de floresta
Logo em Maio seguinte: de harmonia
Foi, num abraço, o povo inteiro em festa
Foi o coro geral. E duraria
Se não fora, de Agosto, o fogo posto,
O venenoso cuspo da serpente,
O dente, a agarra, a máscara sem rosto
De urso a leste e puma a ocidente
Foi a frescura nova, prometida
Em Abril, por Abril, que se negou
A ser gaivota viva em nossa vida
Foi tudo e não foi nada. Foi um voo
Pingo de cera de asa derretida
Na mão de mais um dia que findou
António Luís Moita

