Quinta-feira | Maio 15, 2008

A Liberdade

Fogo posto


Foi de amor e de cravos. Foi de floresta

Logo em Maio seguinte: de harmonia

Foi, num abraço, o povo inteiro em festa

Foi o coro geral. E duraria


Se não fora, de Agosto, o fogo posto,

O venenoso cuspo da serpente,

O dente, a agarra, a máscara sem rosto

De urso a leste e puma a ocidente


Foi a frescura nova, prometida

Em Abril, por Abril, que se negou

A ser gaivota viva em nossa vida


Foi tudo e não foi nada. Foi um voo

Pingo de cera de asa derretida

Na mão de mais um dia que findou



 António Luís Moita






Escrito por Andreia Lopes em 16:31:24 | Link permanente | Comments (0) |
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